Letícia Silva

Graduanda em Ciência da Computação e Deva no Colaboradados <3

O que não te contaram da Python Brasil

Depoimentos

Letícia Silva 2019-10-03

Como um evento mudou a minha vida?

Você já deve ter se feito essa pergunta: Como um momento mudou tanto a sua vida, que você não se lembra de como ela era antes disso ter acontecido? É esse o sentimento que tenho quando lembro da Python Brasil. E vou te contar o porquê.

Sou graduanda em Ciência da Computação, estudante de iniciação científica no INPE e trabalho na Dataside, uma consultoria de banco de dados. Na época só estava no INPE, e isso significa que meu salário se resumia uma bolsa no valor de 400,00 reais. Também pode se resumir em: “Você não vai na Python Brasil, Letícia”, ou “Não é esse ano que o sonho vai rolar :/ “ . Meus pais também não tinham condições de pagar a viagem para mim, e eu já estava começando a desistir.

Foi quando a Campanha do PyLadies na Python Brasil</span> surgiu na minha vida. Eu não sabia muito sobre, mas resolvi me inscrever e entregar as respostas mais inteiras e sinceras possíveis no formulário. Minha inscrição foi feita no último dia que o formulário estava aberto, e preenchê-lo foi como tomar uma decisão muito importante.

Passado um tempo, recebi um email. Descobri que eu havia sido uma das “selecionadas” para a Campanha, e que conforme o financiamento rolasse, eu poderia “estar dentro ou não”, pois a campanha funciona a base de contribuições financeiras, onde os contribuidores recebem uma recompensa em troca, como forma de agradecimento.

Nunca apertei tanto o F5 do teclado quanto nos dias que a campanha rolou. Sério, era um desespero tão, mas tão grande, porque sabia que dependia daquilo para ir na conferência, e outras mulheres também estavam na mesma situação. Lembro quando recebi a notícia de que sim, eu iria na Python Brasil[14]: EU NÃO PARAVA DE GRITAR E CHORAR PELA CASA! (foi emocionante demais, Brasil).

E tiveram outras surpresas no caminho:

  • Só estaria presente NO MAIOR ENCONTRO da comunidade Python da América Latina;
  • Fui aprovada para palestrar na PyLadies BR Conf[1], a primeira conferência nacional (e internacional também, bjs) de PyLadies do Brasil;
  • A palestra era sobre a área que trabalho atualmente e amo muito (Ciência de Dados é amor sim <3);
  • Estaria num estado que nunca fui (e ainda seria no nordeste e teria praia, que é melhor ainda);
  • Teria a oportunidade de conhecer pessoas incríveis e que eu ficava amando e acompanhando pelo Twitter;
  • E ainda poderia falar sobre a iniciativa que mais amo e falo sobre na grade de palestras da Python Brasil[14]. Quer oportunidade melhor que essa, @?

E eu fui pro evento que era, literalmente, dos meus sonhos. Lá eu tive contato com pessoas incríveis, vi coisas maravilhosas acontecendo e pude ajudar a proporcionar algumas delas também, e isso me influencia até hoje. Aconteceram tantas, mas tantas coisas, que se eu fosse escrever tudo aqui o texto seria a nova trilogia do Senhor dos Anéis (rindo de nervoso). Mas eu vou listar, resumidamente, pra você entender:

  • Encontrei o Masanori mais uma vez em outro estado (é engraçado porque moramos na mesma cidade, mas sempre nos encontramos em eventos fora daqui. Eu adoro, porque é motivo pra poder viajar mais, né);
  • Conheci a Judite Cypreste, que era uma das pessoas que eu tinha mais vontade de conversar nessa vida. Era tanta admiração e amor por essa mulher (e ela por mim, mas essa parte não caiu a ficha até agora), que viramos melhores amigas em 2 segundos e hoje participamos de um projeto juntas (e com outras pessoas também!), o Colaboradados, e temos o Coluna7, um podcast sobre Jornalismo de Dados e Ciência de Dados para qualquer um que tenha curiosidade em aprender esses tópicos;
  • Conheci um monte de PyLadies MARAVILHOSAS (eu precisava de um tópico só pra exaltar essas maravilhosidades mesmo, desculpa);
  • Conheci outras pessoas sensacionais também ♥;
  • Arrastei a Ingrid para a Python Brasil comigo, porque ela é minha mãe de comunidades e queria que vivêssemos esse momento ‘juntas & shallow now’;
  • Fui tutora no Django Girls Natal e vi cada história lindaaaa, teve mentorada minha sendo tutora em outros DG’s e eu fiquei orgulhosa demais, pense;

* Fomos um dia pra praia e tinham mais de 70 pessoas num único quiosque (esse dia foi louco!);

  • Quebrei o pé, pra variar, e estrear minha primeira PyBR com estilo. Agradecimento especial ao Ramiro e o Gabriel que foram os anjos que cuidaram de mim e empurraram minha cadeira no aeroporto (essa é a história mais engraçada que eu posso te contar. É sério);
  • Depois disso, fui chamada para várias palestrinhas (e também submeti outras), e comecei a espalhar a palavra da comunidade por outros estados;
  • Pude ver os alunos dos IF’s aprendendo a programar em Python na conferência e essa foi uma das coisas mais lindas do mundo;

  • Abracei muito a dona Aninha que é somente o amor da minha vida todinha (e também é do Colaboradados, YAY);

  • Fiquei hospedada na casa e tive a honra de estar na presença da dona da porr* toda Debora Azevedo;
  • Vivi altas aventuras com a minha princesa Carol. Foi tão importante ter ela na PyBR comigo que nem sei;

  • Fora os milhares de acontecimentos que rolaram entre ter feito amizades que duram até hoje, ensinar uma gringa (saudades, Winnie <3) a dançar funk, rastar a chinela em alguns forrós por terras nataenses e comer o melhor cuscuz desse Brasil todinho.

O meu imenso obrigada a comunidade, a todas as pessoas que contribuíram no Catarse e, principalmente, a todas as mulheres que organizaram essa campanha! Eu nunca estaria tão conectada, conheceria tanta gente e transbordaria de amor por essa comunidade tão linda se não fosse por vocês!

E pra você que chegou até aqui, vou te falar uma coisa: a Campanha do PyLadies terminou ontem, mas se você quiser ajudar outras mulheres a terem experiências como a minha (sem a parte do pé quebrado, por gentileza), faz uma doação no nosso PicPay! É @pyladies.brasil :)

Ajude outras mulheres a terem momentos incríveis e sentirem-se parte de algo ♥

Síndrome do Impostor: O que eu tenho a ver com isso?

Pensamentos

Letícia Silva 2019-07-14

Nada será suficiente até que você não seja para si mesmo.

Cercados por uma sociedade que cultua descaradamente o sucesso, produtividade e resultado, vivemos a um passo de cair num precipício que não tem formato, mas é profundo. E cada vez se torna mais complexo sair dele.

Síndrome do Impostor consiste em se auto sabotar para acreditar que não é capaz de fazer algo. É como se você quisesse muito atingir um objetivo e tivesse plena capacidade de realizá-lo, porém as vozes dentro da sua cabeça discordam disso e te levam a pensar que não é possível alcançá-lo.

E nós, humanos, passamos por essa descrença todos os dias. Seja na escola, trabalho, ou até no ambiente familiar, somos desacreditados de poder conquistar algo, por n motivos:

* As pessoas que estão ali podem não torcer para que você vá bem em algo por isso influenciar diretamente na forma como elas se enxergam;

* Elas estão cansadas e acreditam que nada pode melhorar, e acabam sendo pessimistas contigo;

* Têm medo que você se machuque/decepcione (pais normalmente se enquadram aqui);

* Estão acostumadas a viver em ambiente competitivo e acabam fazendo isso de tabela;

* Vivermos cercados pela "Vida de Instagram";

* Outros motivos (inclua-os aqui);  

Essa série de fatores, atrelada a pressão social, econômica e política que sofremos, provoca uma sensação de fraude. É como se, a qualquer momento, nossa máscara fosse cair (Rubel ilustrou muito bem isso em Mascarados).

Mesmo que você se esforce para conquistar o que quer, estude e trabalhe muito, nunca é o suficiente. A grama do vizinho é sempre mais verde, o código do colega é sempre mais enxuto, a palestra da outra pessoa é sempre melhor. Você nunca sente-se bem com seus resultados, e não consegue evitar de compará-los com o de alguém, porque já é natural para ti ter essa atitude. Mas não deveria ser.

O fato de sentir-se incompetente ou não acreditar nos elogios que recebe não é altruísmo ou algo do gênero. Chama-se Síndrome do Impostor. Ela é comumente mais vista em mulheres, e pode acontecer por diversos fatores. Acreditar no ditado “O trabalho enobrece o homem” e trabalhar insanamente, se autossabotar, nao terminar coisas que começou, procrastinar frequentemente, acreditar que não se doou o suficiente, e buscar constantemente ser aceito são alguns dos sinais indicados pelas psicólogas Pauline Clance e Suzanne Imes, que publicaram em 1978 um artigo sobre o tema, constatando sobre mulheres de algo desempenho: “apesar de excelentes resultados acadêmicos e profissionais, continuam a acreditar que não são realmente inteligentes e devem ter enganado qualquer pessoa que pensa que elas são.” (confira aqui).

Essas informações expressam, acima de tudo, que mulheres são o público alvo da doença. E que isso precisa e deve ser combatido, em todos os âmbitos e grupos. Pode parecer exagero lendo superficialmente, mas se você buscar casos reais de quem sofre com isso, verá o quanto isso impacta negativamente em todos os aspectos da vida de alguém. Não é legal ter seu desempenho, autoconfiança e perder oportunidades incríveis por não se sentir capaz.

E como é possível resolver isso? A resposta pode não ser tão simples, e o processo muito menos, mas é possível.

* Lembre-se: ninguém é perfeito e tudo mundo já se sentiu incapaz/insuficiente para algo. Recorde também que, se você chegou até onde está hoje, é porque batalhou para isso e que há gente que acredita no seu potencial;

* Estamos em constante aprendizado. O que é difícil para você hoje, pode se tornar extremamente fácil daqui um tempo. Prática requer treino ;)   

* Se valorizar é importante sim! Então, nunca se esqueça de todas as dificuldades enfrentadas por ti e repasse suas conquistas mentalmente. Se for preciso, faça uma lista delas, por mais bobo que pareça. Isso vai te ajudar a calar aquela vozinha mencionada lá em cima, que tenta dizer que você não é capaz;  

* Tenha pessoas que te amam do seu lado. Essa é a dica, na minha humilde opinião, a dica mais importante. Esses seres vão estar do seu lado para te ajudar a lembrar o quão importante e incrível você é. Mantenha-os perto!  

* Terapia é importante. Eu sempre digo que, se os sete (já não mais) bilhões de pessoas existentes no planeta fizessem, nossa convivência seria muito melhor. Acredite, é maravilhoso poder se abrir com alguém que está ali só e para ouvir você, e que não irá usar isso contra ti ou tentará te manipular a partir do que foi dito. 

Se cuidem! E confiem em si mesmos: tenho certeza que cada pessoinha que passou os olhos por essas palavras é um ser especial e capaz de fazer coisas incríveis.

Beijinhos, Lê <3

Eu só preciso ser.

Pensamentos

Letícia Silva 2019-04-20

Do alto das inseguranças impostas pela sociedade, dizendo quem, o que e como deveria, prefiro somente existir. Do meu jeito, como eu quero, sendo eu mesma.

De um tempo pra cá, tenho observado o quanto as pessoas ao meu redor me idealizam. As que pensam que só estudo e não tenho vida social, as que gostariam que realmente fosse assim (alô, pai!), as que me subestimam pela “pouca idade e experiência de vida” (mas você só tem 21 anos, como pode?!), as que julgam minhas reflexões sem saber da minha história, e quem nunca sequer falou comigo, mas se sente no direito de opinar sobre minha vida (porque né, ela virou um Black Mirror Bandersnatch e não estou sabendo).

Sempre levei em consideração a opinião dos outros. O que pensavam, se concordavam, se achavam legal uma determinada coisa. E fui compreendendo que não importa a opinião de pessoas que não fazem a diferença no meu mundo e são indiferentes às minhas lutas. O ser humano tem uma mania de valorizar quem não merece, né? E a explicação que dão pra isso é “você passou a vida recebendo migalhas, e acaba aprendendo a se contentar com elas”. APENAS PARE!

Se tu quer viajar/mudar de carreira/começar uma faculdade de música/parar de comer carne/raspar a cabeça/fazer qualquer coisa que as pessoas normalmente criticam, aí vai a dica: Faz sentido pra ti? Se sim, vai em frente! Eu acredito que, para fazer algo, tem que ter sentido para alguém. E esse alguém é, e apenas precisa ser você.

É óbvio que listei coisas extremamente variadas e que tem todo um propósito para as pessoas que praticam essa ação, mas o objetivo é mostrar que, para acontecer, basta você querer primeiro. E não pense que isso é pouco não, é o passo mais importante! Porque críticas sempre vão existir. O importante é batalhar muito e ir sempre atrás do que você deseja.

Não importa quão louca seja a tua vontade, ou o quanto as pessoas te olham “torto” por isso. A escolha é só sua, e você deve respeitar e corresponder ao seus desejos sempre que possível. Se arrisca! Vai, faz, se entrega, te apropria do que faz sentido pra você. Só não deixe que a sua vida toque uma trilha musical da qual você não faz parte.

O ator/atriz principal é você. Lembre-se sempre disso :)