Letícia Silva

Graduanda em Ciência da Computação e Deva no Colaboradados <3

Não Sei

2020-08-02

A distância entre nós

Desde pequena, eu gostava muito de interagir com as pessoas. Conversar, abraçar, ser carinhosa. Segundo meus pais, não havia um lugar que eu chegasse e não encantasse todos os presentes lá - era pouco tamanho, muita inteligência e uma desinibição sem tamanho.

Permitir-se

Pensamentos

Letícia Silva 2020-02-08

Permitir-se.

Você não pode deixar um mecanismo de defesa virar uma armadura. Você merece uma conexão real na sua vida

Eu sempre tive dificuldade de me relacionar amorosamente com as pessoas. Ora porque não me achava boa o bastante, ora porque me sentia feia/gorda/burra. Eu nunca acreditei ser o suficiente para alguém, mesmo me esforçando muito pra isso.

Nunca namorei, mas durante os “rolos” da vida sempre estava ali, presente, para a pessoa. Tentava agradar e ajudar sempre que possível, vivia bancando a psicóloga e pegando os problemas da pessoa pra mim, e nunca sentia que era recíproco. Já teve relacionamento abusivo, que eu era manipulada a acreditar que sempre era a errada da situação, já tentaram me forçar a passar por situações nas quais não me sentia confortável… Era assim: eu tentando salvar os outros enquanto cavava a minha própria cova.

Com o passar do tempo e a repetição do mesmo cenário, fui me cansando. As decepções que viriam não valiam tanto desgaste mental, nem tempo sendo jogado fora. Fui me afastando cada vez mais de qualquer pessoa que fosse um provável problema na minha vida, e me permitindo cada vez menos. Até que parei de acreditar que esse negócio de amor é pra mim.

Chegar a levar essa pauta pra terapia (preciso retomá-la, inclusive). Eu só comentava que não conseguia me ver num relacionamento, mas não explicava o porquê. A psicóloga dizia que eu era muito focada no que eu queria, e que de certa forma, isso me prejudicava em outros âmbitos. Pra quem vivia comigo, o motivo era bem claro: “você já faz coisa demais”. Pra mim, o cenário é bem diferente: nunca me achei digna de ter alguém aqui, do meu lado. E, somando isso a todos os traumas que vivenciei durante esses 22 anos, o sentimento se intensificava. Certas coisas não são pra todo mundo mesmo.

Ontem eu ouvi essa frase: “Você não pode deixar um mecanismo de defesa virar uma armadura. Você merece uma conexão real na sua vida” , e foi como um soco no estômago. Sei que afasto qualquer um que pense em se aproximar de mim com essa intenção, mas até quando eu vou continuar com esse comportamento?

Preciso aceitar e entender que também mereço ser feliz.

O que não te contaram da Python Brasil

Depoimentos

Letícia Silva 2019-10-03

Como um evento mudou a minha vida?

Você já deve ter se feito essa pergunta: Como um momento mudou tanto a sua vida, que você não se lembra de como ela era antes disso ter acontecido? É esse o sentimento que tenho quando lembro da Python Brasil. E vou te contar o porquê.

Sou graduanda em Ciência da Computação, estudante de iniciação científica no INPE e trabalho na Dataside, uma consultoria de banco de dados. Na época só estava no INPE, e isso significa que meu salário se resumia uma bolsa no valor de 400,00 reais. Também pode se resumir em: “Você não vai na Python Brasil, Letícia”, ou “Não é esse ano que o sonho vai rolar :/ “ . Meus pais também não tinham condições de pagar a viagem para mim, e eu já estava começando a desistir.

Foi quando a Campanha do PyLadies na Python Brasil</span> surgiu na minha vida. Eu não sabia muito sobre, mas resolvi me inscrever e entregar as respostas mais inteiras e sinceras possíveis no formulário. Minha inscrição foi feita no último dia que o formulário estava aberto, e preenchê-lo foi como tomar uma decisão muito importante.

Passado um tempo, recebi um email. Descobri que eu havia sido uma das “selecionadas” para a Campanha, e que conforme o financiamento rolasse, eu poderia “estar dentro ou não”, pois a campanha funciona a base de contribuições financeiras, onde os contribuidores recebem uma recompensa em troca, como forma de agradecimento.

Nunca apertei tanto o F5 do teclado quanto nos dias que a campanha rolou. Sério, era um desespero tão, mas tão grande, porque sabia que dependia daquilo para ir na conferência, e outras mulheres também estavam na mesma situação. Lembro quando recebi a notícia de que sim, eu iria na Python Brasil[14]: EU NÃO PARAVA DE GRITAR E CHORAR PELA CASA! (foi emocionante demais, Brasil).

E tiveram outras surpresas no caminho:

  • Só estaria presente NO MAIOR ENCONTRO da comunidade Python da América Latina;
  • Fui aprovada para palestrar na PyLadies BR Conf[1], a primeira conferência nacional (e internacional também, bjs) de PyLadies do Brasil;
  • A palestra era sobre a área que trabalho atualmente e amo muito (Ciência de Dados é amor sim <3);
  • Estaria num estado que nunca fui (e ainda seria no nordeste e teria praia, que é melhor ainda);
  • Teria a oportunidade de conhecer pessoas incríveis e que eu ficava amando e acompanhando pelo Twitter;
  • E ainda poderia falar sobre a iniciativa que mais amo e falo sobre na grade de palestras da Python Brasil[14]. Quer oportunidade melhor que essa, @?

E eu fui pro evento que era, literalmente, dos meus sonhos. Lá eu tive contato com pessoas incríveis, vi coisas maravilhosas acontecendo e pude ajudar a proporcionar algumas delas também, e isso me influencia até hoje. Aconteceram tantas, mas tantas coisas, que se eu fosse escrever tudo aqui o texto seria a nova trilogia do Senhor dos Anéis (rindo de nervoso). Mas eu vou listar, resumidamente, pra você entender:

  • Encontrei o Masanori mais uma vez em outro estado (é engraçado porque moramos na mesma cidade, mas sempre nos encontramos em eventos fora daqui. Eu adoro, porque é motivo pra poder viajar mais, né);
  • Conheci a Judite Cypreste, que era uma das pessoas que eu tinha mais vontade de conversar nessa vida. Era tanta admiração e amor por essa mulher (e ela por mim, mas essa parte não caiu a ficha até agora), que viramos melhores amigas em 2 segundos e hoje participamos de um projeto juntas (e com outras pessoas também!), o Colaboradados, e temos o Coluna7, um podcast sobre Jornalismo de Dados e Ciência de Dados para qualquer um que tenha curiosidade em aprender esses tópicos;
  • Conheci um monte de PyLadies MARAVILHOSAS (eu precisava de um tópico só pra exaltar essas maravilhosidades mesmo, desculpa);
  • Conheci outras pessoas sensacionais também ♥;
  • Arrastei a Ingrid para a Python Brasil comigo, porque ela é minha mãe de comunidades e queria que vivêssemos esse momento ‘juntas & shallow now’;
  • Fui tutora no Django Girls Natal e vi cada história lindaaaa, teve mentorada minha sendo tutora em outros DG’s e eu fiquei orgulhosa demais, pense;

* Fomos um dia pra praia e tinham mais de 70 pessoas num único quiosque (esse dia foi louco!);

  • Quebrei o pé, pra variar, e estrear minha primeira PyBR com estilo. Agradecimento especial ao Ramiro e o Gabriel que foram os anjos que cuidaram de mim e empurraram minha cadeira no aeroporto (essa é a história mais engraçada que eu posso te contar. É sério);
  • Depois disso, fui chamada para várias palestrinhas (e também submeti outras), e comecei a espalhar a palavra da comunidade por outros estados;
  • Pude ver os alunos dos IF’s aprendendo a programar em Python na conferência e essa foi uma das coisas mais lindas do mundo;

  • Abracei muito a dona Aninha que é somente o amor da minha vida todinha (e também é do Colaboradados, YAY);

  • Fiquei hospedada na casa e tive a honra de estar na presença da dona da porr* toda Debora Azevedo;
  • Vivi altas aventuras com a minha princesa Carol. Foi tão importante ter ela na PyBR comigo que nem sei;

  • Fora os milhares de acontecimentos que rolaram entre ter feito amizades que duram até hoje, ensinar uma gringa (saudades, Winnie <3) a dançar funk, rastar a chinela em alguns forrós por terras nataenses e comer o melhor cuscuz desse Brasil todinho.

O meu imenso obrigada a comunidade, a todas as pessoas que contribuíram no Catarse e, principalmente, a todas as mulheres que organizaram essa campanha! Eu nunca estaria tão conectada, conheceria tanta gente e transbordaria de amor por essa comunidade tão linda se não fosse por vocês!

E pra você que chegou até aqui, vou te falar uma coisa: a Campanha do PyLadies terminou ontem, mas se você quiser ajudar outras mulheres a terem experiências como a minha (sem a parte do pé quebrado, por gentileza), faz uma doação no nosso PicPay! É @pyladies.brasil :)

Ajude outras mulheres a terem momentos incríveis e sentirem-se parte de algo ♥